"Existe um objectivo, mas nenhum caminho; o que chamamos caminho é hesitação."
—   Franz Kafka
Espectáculo em Português
A MULHER-
ZINHA

Há aqueles que amamos, que respeitamos, há aqueles que nos são indiferentes, indistintos, indiferenciados e há, também, aqueles que odiamos, que tememos, que desprezamos. Poderá uma só pessoa ser todas essas outras pessoas que compõem a fértil paisagem das relações humanas? Poderá uma só individualidade albergar em si um tão diversificado catálogo de vícios e virtudes que, pela sua simples enumeração e enunciação, duvidamos estar a falar de uma única pessoa? O inesgotável drama da identidade, da multiplicidade do ego, do sermos quem somos face ao que pensam que somos, é o inquietante assunto em tese n' “A Mulherzinha”. Tendo por base o conto homónimo de Franz Kafka, escrito no ano de 1923 em jeito de mordaz homenagem à sua senhoria em Berlin-Steglitz, este é um exercício cénico sobre a personalidade, a sua percepção e aceitação, sobre o estilhaçar do “eu” em múltiplos fragmentos que alimentam um permanente e irresolúvel conflito entre si. Somos todos, cada um à sua maneira, um cosmos em eterna ebulição. E ninguém mais do que a nossa protagonista que, perante uma moldura vazia, guerreia pela afirmação do seu lugar no mundo.

A partir de "A Mulherzinha", "À Noite", "A Ponte", "Regresso a Casa", "Descrição de uma Desavença", "O Abutre" e "Carta a Oskar Pollak" de Franz Kafka

Ideia Original , Adaptação , Interpretação e Voz-Off Inês S Pereira

Tradução (a partir da versão inglesa de Willa e Edwin Muir) , Adaptação e Encenação Pedro Galiza

Espaço Cénico , Design de Luz e Figurinos Pedro Morim

Sonoplastia , Motion Design e Fotografia Nuno Leites

Design Gráfico Adriana Leites

Produção Marácula

© 2015